Comissão de Direitos Humanos do CRP-MA emite nota para o Dia Internacional das Mulheres

O Conselho Regional de Psicologia do Maranhão (CRP-MA), por meio da Comissão Direitos Humanos (CDH), neste dia 08 de março, vem apresentar seu posicionamento firme e intransigente pelas lutas e conquistas das mulheres aos seus direitos: educação, trabalho, participação política entre tantas outras, que ao longo de vários séculos tem sido negligenciados. Mas também vem repudiar e indignar-se pelas aviltantes formas de violências praticadas cotidianamente a milhares de mulheres principalmente no ambiente doméstico.

Conforme o Atlas de violência de 2019, há um dado gritante de homicídio de mulheres no Brasil. No ano de 2017, ocorreram cerca de 13 assassinatos por dia. No total 4.936 mulheres foram mortas, o maior número registrado desde 2007. Entre estes dados, a mulher negra corre o risco seis vezes mais que as mulheres não negras.

Trazendo essa realidade para o Estado do Maranhão, 5.530 casos de violência física e 1.189 estupros foram registrados em 2019 pelo  Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), correspondendo a 82,3% de violência física e 17,7% casos de estupro. Dentre os casos de estupro, 84% foram contra mulheres negras.

Nos últimos anos, os casos mais expressivos foram os de feminicídio, ou seja, o assassinato de mulheres  pelo simples fato de serem mulheres. O G1 registrou um crescimento de 7,3% em 2019, em relação a 2018.

Na Psicologia, as mulheres tem se constituído um número bastante expressivo. Até 1969, elas representavam 13% da categoria, em 1989 esse número já significa 53%. No Maranhão, até fevereiro de 2020, este número é de 2.919 mulheres representando 85,23% da categoria, atuando em todos os espaços profissionais, tendo também a profissão sido iniciada na década de 70 genuinamente por mulheres que fizeram sua formação em outros estados e bravamente abriram os campos de trabalho com a implantação dos Serviços de Psicologia, na área organizacional, trânsito, clínica, justiça, sistema penitenciário, criança e adolescente, entre outras.

A Psicologia se afirma tanto no fazer de muitas mulheres, quanto atuante no enfrentamento de qualquer tipo de violência, discriminação e preconceito. Busca e incentiva que as práticas e atuações no saber psicológico, nos diversos campos de atuação, se oponham diante de quaisquer situações que venham ofender ou desrespeitar o gênero feminino e compreender que todo tipo de violência ou desigualdade de gênero está infimamente relacionado a tradições e culturas dominantes. Com isso, assumimos nosso compromisso com a desnaturalização da violência em suas várias formas de expressão. Reafirmando nosso compromisso com essa luta, desejamos que a cada 8 de março esse compromisso seja renovado.

CRP-MA/CDH.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *